
hoje, dia 2 de fevereiro de 2009, fazem 12 anos que Francisco de Assis França, o inesquecível Chico Science, se ausentou desse mundo num trágico acidente de carro.
um gênio, um poeta, um visionário. pode parecer as palavras mais clichês do mundo, mas é assim que eu gosto de defini-lo.
o Manguebit buscou essa mescla tão fascinante do passado com o presente, das raízes com a modernidade, que é uma tendência tão visível no dias de hoje. o que é a música de hoje? samples e regravações de músicas de nossos pais? e a moda? os óculos ray ban e os sapatos boneca dos anos 50? e a nossa literatura, que sofre uma radical releitura de clássicos como dom casmurro, que parece estar cada vez mais atual em nossa cultura?
a cultura se nutre das origens e do progresso. é impossível caminhar para frente sem se dar conta da riqueza do passado, uma riqueza que muitas vezes se aplica aos dias de hoje. são valores, a nossa identidade, a nossa alma que está inserida ali.
creio que o nosso mundo tecnológico e globalizado tem a tarefa de aprimorar-se cada vez mais no sentido de RECRIAR esse passado. as ferramentas para essa recriação é que devem se multiplicar, se sofisticar, juntamente com nossas mentes, pois tudo o que se vê hoje não passa de uma intertextualidade (que, na melhor das hipóteses, é criativa).
admirar o que é nosso e utilizar-se do que é supostamente dos “outros” para recontar nossa história, sem que nos tornemos fetichistas das máquinas ou nacionalistas anacrônicos.
se nós temos tanto aqui, por que procurar em outro lugar? chico science e o movimento mangue se deram conta disso. caranguejos pensantes, híbridos, e o principal, criativos.
e é disso que o brasil precisa. caranguejos com cérebro.
aqui fica meu eterno respeito e admiração.
Corpo de Lama ( Chico Science/ Jorge Du Peixe)
Este corpo de lama que tu vê
É apenas a imagem que sou
Este corpo de lama que tu vê
É apenas a imagem que é tu
Que o sol não segue os pensamentos
Mas a chuva muda os sentimentos
Se o asfalto é meu amigo eu caminho
Como aquele grupo de caranguejos
Ouvindo a música dos trovões
Esta chuva de longe que tu vê
É apenas a imagem que sou
Este sol bem de longe que tu vê
É apenas a imagem que é tu
Fiquei apenas pensando que seu rosto
Parece com as minhas idéias fiquei apenas
Lembrando que há muitas garotas sorrindo
Em ruas distantes há muitos meninos
Correndo em mangues distantes
Esta rua de longe que tu vê
É apenas a imagem que sou
Esse mangue de longe q tu vê
É apenas a imagem que é tu é
Se o asfalto é meu amigo eu caminho
Como aquele grupo de caranguejos
Ouvindo a música dos trovões
Deixai que os fatos sejam fatos naturalmente
Sem que sejam forjados para acontecer
Deixai que os olhos vejam os pequenos detalhes
Lentamente deixai que as coisas que lhe circundam
Estejam sempre inertes como móveis
Inofensivos para lhe servir quando for
Preciso e nunca lhe causar danos
Sejam eles morais físicos ou psicológicos




![suria cleozita, uma deusa ;]](http://loirexxxperience.files.wordpress.com/2009/01/suria.jpg?w=320&h=200)









